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Projeto "Leitura que Liberta" completa três anos e é tema de debate na Uepa

“O 'Leitura que Liberta' começou por meio de um esforço concentrado da Defensoria Pública, Seduc e Susipe, para tornar possível a remição de pena pela leitura no Pará, explica a defensora Ana Izabel Santos, idealizadora do projeto.

 

O projeto "Leitura que Liberta", que trabalha a remição de pena pela leitura nas unidades prisionais da Região Metropolitana de Belém completou três anos de execução. Na manhã desta sexta-feira (30), a Universidade Estadual do Pará (Uepa) realizou uma mesa redonda sobre políticas educacionais para privados de liberdade, como parte da "IV semana de História da Uepa". O projeto educacional com detentos foi o centro das discussões.

Atualmente, 142 reeducandos da Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe) participam do projeto. “O 'Leitura que Liberta' começou por meio de um esforço concentrado da Defensoria Pública, Seduc e Susipe, para tornar possível a remição de pena pela leitura no Pará, prática que já era adotada em outros estados. Hoje já estamos em sete unidades da Grande Belém e nossa pretensão é expandir para o interior do estado, nos municípios de Marabá, Santarém e Abaetetuba", explica a defensora Ana Izabel Santos, idealizadora do projeto e que  participou da implementação das atividades no Centro de Recuperação Coronel Anastácio das Neves (CRCAN), Centro de Recuperação Penitenciário do Pará II (CRPP II), Colônia Penal Agrícola de Santa Izabel (CPASI), Centro de Recuperação Feminino de Ananindeua (CRF), Centro de Recuperação Regional de Castanhal (CRRCAST), Presídio Estadual Metropolitano I (PEM I) e Centro de Recuperação do Coqueiro (CRC).

O projeto social de remição pela leitura conta com uma equipe de 16 professores, seis técnicos da Susipe, cinco técnicos da Seduc, uma defensora pública e uma coordenadora da Seduc. Já foram entregues 104 atestados para remição de pena e quase 300 leituras realizadas com produção textual. Do total de presos que já passaram pelo projeto, apenas dez fugiram antes do cumprimento da pena e um voltou a reincidir no crime.

Todos os livros usados são doados e sobre os mais variados temas, como ação, literatura brasileira e mundial, ficção, aventura, romances, autobiografias, história, filosofia, sociologia e política. Patrícia Moraes, coordenadora do projeto, explica como funciona: “Os internos, que são chamados de leitores, recebem um livro a cada 30 dias. Os leitores devem ler o livro e produzir uma redação sobre o tema. Essa redação é avaliada e o leitor precisa tirar pelo menos cinco pontos de um total de 10 para conseguir remir quatro dias de pena. Aos leitores do ensino fundamental é cobrado um relatório de leitura e os do ensino médio e superior devem produzir uma resenha, que é um pouco mais elaborada", garante.

Atualmente, a Susipe conta com mais de cinco mil internos envolvidos em atividades educacionais. O professor Ribamar Oliveira trabalha no Centro de Recuperação do Coqueiro (CRC) e se surpreendeu com os leitores. “Eles receberam o projeto com muita alegria, no cárcere eles têm uma vida muito monótona, então qualquer coisa que possa tirar eles da cela já é extremamente relevante. No primeiro momento eles pensam o projeto apenas no sentido de diminuir os dias, mas na medida que eles vão lendo compreendem a importância que tem a leitura para o crescimento social deles", avalia.

Maria de Nazaré Alves Pombo já faz remição de pena pela leitura há um ano e quatro meses. A reeducanda já leu seis livros. “Me sinto muito beneficiada, por que eu não gostava de ler, não tinha interesse por livros e depois do projeto eu percebi que eu posso conhecer lugares pela leitura, ter conhecimento, saber ler e escrever melhor. Hoje eu estou me preparando para fazer o Enem e me sinto preparada pra redação. A leitura me libertou e me fez conhecer um mundo de possibilidades”, finaliza.

De acordo com o último levantamento realizado pelo Relatório Susipe em Números, de outubro/2018, 70% das unidades prisionais do Estado tem sala de aula; 78,46% da população carcerária feminina estuda (a média nacional de presos inseridos em atividades educativas é de apenas 10%, segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional); mais de quatro mil presos no Pará estão no ensino regular (alfabetização, fundamental, médio e superior) e 26 centros de detenção tem bibliotecas e um acervo catalogado pela Coordenadoria de Educação Prisional (CEP) da Susipe, que conta com mais de 20 mil livros.

Por Timoteo Lopes