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No pico da doença, o Grupamento foi atingido pelo novo coronavírus, mas não deixou de levar insumos, equipamentos e profissionais a todas as regiões

No auge da pandemia provocada pelo novo coronavírus, entre os meses de março e maio, praticamente toda a frota aérea do Brasil parou por conta da restrição de circulação de pessoas. O diferencial foi a atuação do Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp). Não houve um dia, nesse período, sem que pelo menos uma aeronave decolasse, e no mínimo uma vez por dia. Os voos cobriram todas as regiões do Pará no transporte de álcool em gel, equipamentos de proteção individual (EPIs), medicamentos, respiradores e profissionais de saúde. O Graesp utilizou todos os seus recursos no esforço conjunto para enfrentar a disseminação da Covid-19 pelo continental território paraense.

Criado em 2003 para ser mais uma ferramenta do governo do Estado nas estratégias de Segurança Pública, o Grupamento atua em missões de prevenção, patrulhamento, repressão, resgate e transportes diversos, em quase todo o âmbito da administração pública - incluindo as viagens oficiais realizadas pelo chefe do Executivo estadual. Também é fundamental nas ações de fiscalização ambiental, bem como em situações no sistema penitenciário e nas operações de combate a assaltos a bancos, em todas as regiões.

"A nossa capacidade de viabilizar deslocamento de carga pesou muito durante os momentos mais críticos da pandemia. Os respiradores, por exemplo, que chegavam ao Aeroporto Internacional de Belém, éramos nós que distribuíamos para hospitais de campanha e hospitais regionais em Marabá, Santarém, Redenção, Breves e Parauapebas. E ainda auxiliamos no transporte intermunicipal. À medida em que uma cidade precisava menos do equipamento, levávamos para uma que estivesse precisando mais. Isso ocorreu em Juruti, Oriximiná, Almeirim, Porto de Moz, Itaituba, Tucuruí, Capanema e Paragominas", conta o coronel Armando Gonçalves, diretor do Graesp.

Força-tarefa - Tão logo o governador Helder Barbalho decretou a suspensão das férias, o coronel Armando comunicou seu efetivo sobre a medida, afastando somente os que faziam parte do grupo de risco para Covid-19. Segundo ele, foi formada uma força-tarefa para garantir a continuação das demandas na crise sanitária e o atendimento rotineiro, como a necessária vigilância nos balneários, principalmente durante o mês de julho.

"Nosso maior grupo, com aeronave, tripulação, logística de mecânica e combustível, fica em Salinópolis (na região nordeste), onde há uma maior concentração de pessoas e, consequentemente, de ações de orientação e salvamento", explica o diretor, acrescentando que a Operação Verão mobilizou uma equipe de 60 agentes. Em paralelo, outro efetivo trabalhou de forma itinerante entre Outeiro e Mosqueiro (distritos de Belém), Ajuruteua (em Bragança), Marudá (em Marapanim) e no município de Barcarena, no Baixo Tocantins. Na verdade, missões semelhantes, mas de menor abrangência, são colocadas em prática sempre que há feriados prolongados ou datas festivas, que provocam uma "corrida" de pessoas às praias.

"Nesses casos, a missão da aeronave é mesmo atuar em situação de resgate, porque os afogamentos são recorrentes. É muito comum a pessoa se afastar da margem e depois não mais conseguir voltar. Todo ano é feito um treinamento de atualização com a equipe que atua nessa frente", informa o coronel.

União - O empenho dos integrantes do Graesp foi decisivo para o cumprimento das missões em um momento tão peculiar. "Foi quando vi que realmente estava todo mundo unido. O vírus assustou todo mundo, mas cabia a nós garantir que não faltasse o que fosse necessário", ressalta o coronel Armando Gonçalves.

Metade do efetivo acabou sendo contaminado. Dois chegaram a ficar em estado grave, mas não houve baixas. "Ainda bem que todo mundo se recuperou, e os dois até já voltaram a voar. No pior momento da crise nós não tínhamos folga. Lembro de um domingo, 19h30, que eu estava me arrumando para voar porque tinha chegado respirador e precisava ir para o interior", lembra.

Em 2019, o Graesp atingiu 2,6 mil horas de voo, sendo que a maior parte desse tempo foi dedicada a operações. De 1º de janeiro a 1º de agosto deste ano já são 1,2 mil horas acumuladas, sendo que 520 foram dedicadas somente às missões relacionadas à Covid-19. "Então, se a gente comparar, voamos muito mais nesses sete primeiros meses do ano em relação a esse mesmo período do ano passado", afirma o oficial da PM.

Por Carol Menezes

 

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