Susipe debate intolerância sexual e religiosa nos presídios

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"A intolerância que existe dentro dos presídios também é um reflexo da sociedade em que vivemos. Levando essa conscientização para dentro das unidades penitenciárias tenho certeza que teremos bons resultados", defendeu André Cunha.

 Agência Pará de Notícias

Representantes da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) e da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) estiveram reunidos com o titular da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe), coronel André Cunha, para apresentar o projeto “Direitos Humanos em Cena no Sistema Penitenciário: disseminando informações através da arte cinematográfica para o enfrentamento às violações de direitos humanos”, vinculado à Sejudh. A reunião foi realizada na última segunda-feira (10), no prédio-sede da Susipe.

O projeto piloto tem a finalidade de sensibilizar gestores, técnicos, agentes prisionais e demais trabalhadores das casas penais sobre temas relativos aos direitos humanos no sistema penitenciário, capacitar agentes multiplicadores que atuam nos setores de educação das casas penais no enfrentamento ao tráfico de pessoas e usufruir da transversalidade do tema para abordar questões de intolerância sexual e religiosa ainda presentes nas unidades penitenciárias.

“Infelizmente o que mais leva à morte no mundo e o que mais divide a humanidade é a religião. A intolerância que existe dentro dos presídios também é um reflexo da sociedade em que vivemos. Levando essa conscientização para dentro das unidades penitenciárias tenho certeza que teremos bons resultados. Esse vai ser um ótimo laboratório e poderá ser levado para outras casas penais posteriormente. Às vezes pensamos que a solução está lá fora, mas a ajuda pode vir de outra instituição dentro do próprio Estado”, afirmou André Cunha.

O projeto foi dividido em quatro fases e utilizará de capacitação, realização de oficinas e projeção de sessões cinematográficas uma vez ao mês nas casas penais. O mapeamento de informações sobre a estrutura e o funcionamento das unidades penitenciárias e o processo da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no sistema carcerário já foram avaliados. A segunda etapa foi da articulação entre os órgãos envolvidos e o planejamento das ações a serem desenvolvidas.

Nesta terceira fase, o público-alvo serão os agentes penitenciários, gestores administrativos, professores da EJA e internos do Centro de Detenção Provisória de Icoaraci (CDPI), Centro de Recuperação do Coqueiro (CRC) e do Centro de Recuperação Feminino (CRF).

Três turmas serão formadas e qualificadas nos dias 24 e 27, 25 e 28 de abril e 26 de abril e 2 de maio. As oficinas ocorrerão no auditório da Procuradoria Geral do Estado e devem reunir cerca de 250 participantes. No primeiro dia o tema abordado será "Noções gerais sobre direitos humanos e violência intrafamiliar". Já no segundo dia estarão em debate as "Noções gerais sobre sexualidade, tráfico de pessoas e trabalho escravo".

Depois de capacitados, os agentes de educação e os professores desenvolverão oficinas para dialogar com os internos sobre os temas: direitos humanos, direitos sexuais e reprodutivos; violência intrafamiliar, diversidade de gênero e sexualidade; trabalho escravo e tráfico de drogas. Também serão exibidos filmes e curta-metragens que retratam o tema. A quarta e última fase contará com o monitoramento e avaliação da execução do projeto. A expectativa é que as oficinas ocorram de maio a dezembro deste ano.

“Chegam até nós diversas situações relacionadas à questão da homossexualidade, por exemplo, e esperamos que a partir deste projeto os internos passem a respeitar os indivíduos que tem essa orientação, porque ninguém é obrigado a aceitar, mas é imprescindível que haja respeito”, ressaltou a coordenadora de Educação Prisional da Susipe, Aline Mesquita.

O titular da Sejudh, Michel Durans, falou sobre a importância da parceria, que permitirá maior abrangência do projeto. “Eu agradeço a oportunidade de fecharmos mais essa parceria, que nos possibilita expandir o projeto para o sistema penitenciário. É uma forma de mais pessoas conhecerem essa iniciativa e discutirem sobre temas delicados com mais profissionalismo e tranquilidade”, afirmou. O projeto Direitos humanos em cena foi criado em 2016 e atua em escolas públicas de Belém e Ananindeua.

Por Timoteo Lopes


 

 

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